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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Pessoas...

Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre."
(Cecília Meireles)

Cecília Benevides de Carvalho Meireles
Nascimento: Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 
Morte: Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Momento em que as minhas reticências suspiraram...

"De almas sinceras a união sincera

Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou."


William Shakespeare

Cena do filme "Cartas para Julieta"

quinta-feira, 28 de julho de 2011

"Aprendendo a jogar" SEMPRE!

Querido amigos,

Queria compartilhar com vocês uma música que me acompanha desde os tempos da faculdade...
Assim que descobri os tesouros escondidos por trás das canções da Elis Regina, fiquei encantada
e não me canso de ter através das suas interpretações, surpresas e novas formas de ver o mundo!
Tudo o que ela fez, sejam coisas boas ou ruins, as fez com toda a sua alma e aí está todo o seu encanto!

Um até breve!
Gy


Aprendendo A Jogar 


(Interpretação de Elis Regina e composição de Guilherme Arantes)


Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar

Água mole em pedra dura
Mais vale que dois voando
Se eu nascesse assim pra lua
Não estaria trabalhando

Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar

Mas em casa de ferreiro
Quem com ferro se fere a tudo
Cria fama, deita na cama
Quero ver o berreiro na hora do ronco

Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar

Quem tem pavor do cachorro
Quer sarna pra se coçar
Boca fechada não entra besouro
Macaco que muito pula quer dançar


quarta-feira, 27 de julho de 2011

UBUNTU: “Eu Sou, porque nós somos!”

Olá pessoal!

Essa história eu já tinha ouvido quando hoje lendo meus e-mails, eis que a recebo com mais detalhes. É um texto curto e interessante que nos faz pensar sobre as relações que estabelecemos neste mundo capitalista enlouquecido em que vivemos!

Eu revivi momentos significativos que tive com as crianças, que a cada dia me ensinam a ser mais sensível, viver sem criar tantos problemas e a rir de mim mesma... E lembrando de uma frase que Antoine de Saint-Exupéry, me despeço dando a deixa para o texto:
"Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção". 

Beijocas, 
Gy
_________________________________________________________ 


"A jornalista e filosofa Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz, em Floripa (2006), nos presenteou com um caso de uma tribo na África chamada Ubuntu.

Ela contou que um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo; então, propôs uma brincadeira pras crianças, que achou ser inofensiva.

Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e tudo e colocou debaixo de uma árvore. Aí ele chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse 'já!', elas deveriam sair correndo até o cesto, e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse 'Já!', instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comeram felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou por que elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.

Elas simplesmente responderam: 'Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?'

Ele ficou desconcertado! Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo, e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?

Ubuntu significa: 'Eu Sou, porque nós somos!"

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Não resisti...

Amigos,
Foi um momento de muita tensão mas também de muita alegria participar ativamente do casamento de pessoas tão queridas quanto a Amandinha e o Luis! 
E para minha maior emoção, minha mãe em um raro momento, foi me ver cantar, lá do fundinho da Igreja...
Queria compartilhar isso com vocês por aqui!

Compartihando um dos meus filhos antigos... Quem sabe não chegou a hora de retomá-los? Esse é de 2006.

Acróstico?

-A-ndei me questionando sobre a vida...


-A-parentemente é uma incógnita nossa existência
-R-epetidamente fazemos coisas que viram mesmice
-T-ratamos o que dói como algo medonho
-E-xageramos ao definir certos acontecimentos


-D-ecidimos geralmente pelo que é errado
-E- falamos com Deus geralmente só nas dificuldades


-P-elo que vejo, penso e só fico a me perguntar:
-E- nesse mundo em que vivo, que preciso ser diferente,
-N-ecessariamente preciso lutar?
-S-abedoria o que é? O amor? A paixão? O viver? A fé?
-A-
cho definitivamente que essa tal arte de pensar

-R-emete-nos a uma realidade irreal; outra dimensão...

Texto que me traz sentimentos, lembranças de uma história...

Olá pessoal!

Hoje lendo o jornal, coisa que quase nunca faço, encontrei essa pérola e ela me remeteu a história da minha família... 

Li esse texto e gostei tanto que saí repassando pra todo mundo que sabia que leria e poderia compartilhar de algum sentimento como eu!

Sem levar em conta a história do autor da matéria e reflexões teóricas, procurei ficar apenas com o sentimento que ele me trouxe...


Angola Santo Cristo

Por Milton Cunha
Fonte: Jornal O Dia, pág. 3 de 21 de junho de 2011

Precisando estampar os mapas das províncias de Angola numas lycras, fui bater numa oficina de Sublimação (técnica com prancha quente que transfere as cores do papel para o tecido) no velho Santo Cristo. Quem me atendeu foi o pequeno negro Fernando, jovem de quase 30 anos, querido, magro, doce como uma criança. Um dos proprietários do ateliê, ele ficou fascinado pelos mapas da terra da vida de seu povo.

Seus olhos brilhavam e ele pulou sobre as estampas de Ilu Ayê; eu não existia mais. Era ele e sua terra de outrora; eu sabia que a alma de Fernando e seus pensamentos já não mais estavam no casarão do velho Rio.

Aos poucos, ele conseguiu sair do transe e balbuciou: “O senhor conhece Angola, como é lá?”. Ele não tirou os olhos das cartas geográficas, e eu falei para o ouvido dele, um escutador do tempo e da memória: “Olha Fernando, a terra vermelha da poeira eterna que tinha lá baixou, asfaltaram as ruas, subiram os prédios e hotéis, estão construindo os conjuntos populares. Estão levando as famílias do Centro para estes conjuntos, vão reurbanizar a velha Luanda. Mas o que mais me impressiona, Fernando, é a mulher angolana. Como trabalha, como é forte. Suas peles brilham ao sol do meio dia, suadas de andar pra cima e pra baixo como nossas antigas pretas-de-ganho, pintadas por Debret. Impressionante a fibra delas, acho um espetáculo quando elas pegam os bebezinhos, jogam na costa, amarram um pano no peito que segura eles lá atrás, e saem vendendo os mais cariados produtos, de abacaxi a peixe, de tecidos a quinquilharias de cozinha, uma beleza. São guerreiras incansáveis”.

Pronto, como se não bastasse a loucura dele, ainda tinha minha descrição lírica, que o atravessou sobre o Atlântico. Foi aí que ele me disse: ”Minha avó era uma delas, foi lavadeira a vida inteira, morava na favela de Cordovil, educou mamãe e nos educou, três irmãos, nos botou pra estudar, sempre lavando a roupa das madames da Zona Sul. Hoje estamos todos formados, vivemos bem, mas vovó foi a negra mais valente que vi. Ela era filha de um preto tão preto que na foto quilombola que temos dele, de 1910, no Mato Grosso, só aparece olho e dente branco do sorriso largo. Ele era escravo vindo de Angola, e ela nasceu na lei do ventre livre. Casou, veio pro Rio, e viveu a trabalhar feliz. Um dia vou visitar Angola...”.

Rapidamente o fio de ligação de um novelo que se desenrola há séculos encontrou conexão. São aqueles momentos na vida que jamais esqueceremos. Negro é vida, na mutação do tempo. José do Patrocínio, nas tábuas da oficina. As águas dos olhos de Fernando eram as vagas de Yemanjá na travessia dos navios negreiros, com o mestre-sala dos mares. O mistério das terras africanas cantavam e dançavam diante de mim, emocionante.