quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Não Estou Pensando em Nada

Não estou pensando em nada 
E essa coisa central, que é coisa nenhuma, 
É-me agradável como o ar da noite, 
Fresco em contraste com o verão quente do dia, 

Não estou pensando em nada, e que bom! 

Pensar em nada 
É ter a alma própria e inteira. 
Pensar em nada 
É viver intimamente 
O fluxo e o refluxo da vida... 
Não estou pensando em nada. 
E como se me tivesse encostado mal. 
Uma dor nas costas, ou num lado das costas, 
Há um amargo de boca na minha alma: 
É que, no fim de contas, 
Não estou pensando em nada, 
Mas realmente em nada, 
Em nada... 

Álvaro de Campos, in "Poemas" 
Heterónimo de Fernando Pessoa


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Vida que imita a arte, arte que imita a vida...

Versos de uma música que conheci hoje e que me gerou algumas reticência...

"Elas, são frágeis donzelas, eles
Tem a força, mas a sutileza é delas".

(Nathy Mc em "A Dama e o Vagabundo")

domingo, 9 de outubro de 2011

Penso...

Penso tantas coisas que nem sei explicar... E isso não só significa ter opinião ou personalidade forte, no meu caso acho que tem mais relação com a necessidade de esvaziamento e ao mesmo tempo de transbordamento.

Esvaziar-se no sentido de colocar para fora o incômodo, as opiniões, os pensamentos. Transbordar-se da ausência de reflexão, da exigência do mundo de ter que ter sempre uma opinião formada sobre tudo e ainda com um falso e capitalista sorriso nos lábios, daqueles que são um investimento e não a expressão de um sentimento. Esperar que as coisas caminhem para um não sei o quê desejado mas desconhecido.

Penso que poderia experimentar, nem que seja por um segundo, a possibilidade do NÃO SER ou NÃO TER QUE SER... Viver hoje, em pleno século XXI nos obriga a SER muitas coisas, representar muitos e diferentes papéis e ainda, ter outras tantas! Um teatro que jamais fecha as suas cortinas, apenas no fim derradeiro da temporada na Terra e assim, daí por diante, o espetáculo se inicia em outro lugar? Seria mesmo o descanso eterno? Não penso definitivamente em passar minha eternidade descansando! Embora queira fazer isso em boa parte dela!

Penso no quanto ainda tenho para descobrir do mundo e não perdi a estranha mania das crianças de desvendar tudo e todos! Uma utopia que em mim permaneceu... Um desejo que por diversas vezes me descola dos espaços e me coloca em um paralelo como se eu fosse uma expectadora que procura selecionar o que vê a partir das suas preferências, mas por não conhecer todos os canais, quer passar por eles e não se ater a nenhum. Acho que essa é uma das melhores definições que encontrei sobre mim.

De tudo isso, uma coisa principal ficou: o DESEJO DE MUDAR E DE VIVER COISAS NOVAS SEMPRE!

Minha alma não cabe nesse mundo!


Em 4 de outubro de 2011.